Ricos devem gastar com mordomos, diz especialista


 

Piergiorgio M. Sandri

“Depois de comprar um apartamento de luxo em Madri, um chalé em Marbella e uma Ferrari, não tenha dúvida: o próximo gasto na lista de alguém que tenha enriquecido será contratar um mordomo”. Robert Watson, diretor do curso profissionalizante da Liga dos Mordomos da Inglaterra, acredita firmemente nisso.

Em sua opinião, a profissão de mordomo deixou de ser apenas uma relíquia de romances policiais ou de filmes de época, e se tornou uma saída profissional com futuro. “Tivemos cerca de quatro alunos espanhóis”, assegura Watson, que seleciona para cada curso uma elite de dez candidatos.

Pode soar como piada, mas há um ponto inquestionável em seu argumento. Nos últimos anos apareceram diversas escolas e cursos de mestrado especializados em formar novos aspirantes a esta profissão. Existem por volta de 16 cursos do gênero reconhecidos. Os preços variam muito, mas costumam ser altos.

Talvez a escola com a melhor reputação seja a de Ivor Spencer, provavelmente o mordomo vivo mais famoso do mundo. Nela, são necessários 7,9 mil euros para assistir a um curso de seis semanas. Segundo Spencer, o mordomo deve ser “próximo, mas sem intimidades”. Entre as lições apresentadas aos aspirantes, estão algumas muito curiosas, como “escolher a hora correta para servir licor e brandy”, “como tratar um bêbado durante um jantar e na casa”, “quando e como colocar e trocar os cinzeiros”.

Por que formar mordomos no século XXI? Basicamente porque, no passado, o ofício era transmitido de pais para filhos e, com o declínio da profissão, depois da Segunda Guerra Mundial, os conhecimentos foram se perdendo. Os tempos difíceis que diversas das casas aristocráticas do Reino Unido viveram as forçaram a reduzir seus quadros de servidores domésticos, e novas oportunidades de emprego em setores como a hotelaria contribuíram para que essa figura quase desaparecesse do mapa.

Mas a demanda por mordomos voltou à tona. Com o sucesso da internet, uma geração de jovens com cerca de vinte anos ou pouco mais conquistou fortunas avaliadas em milhões, sem que seus integrantes dispusessem da cultura das boas maneiras.

Mais que para cuidar do lar (o que, graças à tecnologia, já não precisa de tantos funcionários como antes), agora esses novos ricos (na sua grande maioria norte-americanos, residindo na zona de Hollywood, na Costa Oeste) necessitam de alguém que planeje seu entretenimento e suas atividades mundanas. “Daí nasce a necessidade de confiar no gerenciamento de uma pessoa atenta aos detalhes da vida social”, afirma Watson. Os mordomos britânicos são os mais requisitados, já que são considerados como especialistas no bem, viver.

De toda maneira, o ofício está mudando. Na época vitoriana, a profissão passou a ser conhecida pela palavra “butler”, derivada do francês boutellier, ou portador de garrafas (bouteilles), e a designar um funcionário doméstico de nível médio ou alto, encarregado de cuidar da casa. Em algumas das escolas contemporâneas, conceitos como “executivo doméstico” ou “assistente de estilo de vida” estão sendo utilizados para designar essa linha de trabalho. E em muitos casos os profissionais desse ramo precisam gerir orçamentos superiores aos de uma empresa de pequeno ou médio porte.

María Julia Prats, professora de iniciativa empresarial no IESE, de Barcelona, e autora de um estudo muito bem documentado sobre o tema, equipara as tarefas atuais dos mordomos às de “direção de uma empresa de serviços profissionais”.

“Eles precisam saber como gerenciar um orçamento. Ainda que a fortuna das pessoas que os contratam sejam grandes, um bom mordomo jamais desperdiça¿, ela afirma. E quantos mordomos existem em atividade no mundo? De acordo com a associação internacional do setor, em 2005 existiam cerca de 70 mil pessoas que se dedicam a esse gênero de trabalho.

Mas os números são passíveis de debate. Os profissionais que dirigem toda uma casa, à maneira tradicional do ramo, constituem umas poucas centenas, enquanto o número de envolvidos em trabalhos em iates ou centros de turismo, um dos ramos paralelos do ofício, são mais numerosos. Por exemplo, o hotel Arts, de Barcelona, oferece um serviço de mordomos aos clientes de suas suítes (incluído na diária de 1,8 mil euros).

“Eles coordenam serviços, preparam banhos ou solicitam helicópteros”, explica Rosemary Triggs, que seleciona o pessoal para esse serviço entre jovens com experiência em trabalho doméstico em residências privadas.

Continua valendo a pena pensar em ser mordomo, como profissão? A considerar da remuneração, aparentemente sim. Os principiantes no ramo obtém salários anuais da ordem de 44 mil euros, e os profissionais de primeiro nível, com experiência de entre três a cinco anos supervisionando serviços domésticos, podem receber até 73 mil euros anuais (além de moradia e despesas domésticas pagas). Ou seja, a profissão oferece atrativos.

Por isso, no que tange a considerar o futuro, é bastante possível que vejamos o retorno em maior escala dessa figura romântica, que sempre poderá propiciar alguma coisa que outros profissionais não serão capazes de fornecer. Como se costuma dizer na escola dirigida por Ivor Spencer, “talvez no milênio que se inicia os robôs cheguem às casas para fazer o trabalho pesado, mas jamais substituirão um ser humano altamente capacitado, de aparência impecável e que não coma alho”.

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

La Vanguardia

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