Um fogão à lenha que também produz eletricidade


Um fogão à lenha que também produz eletricidade

 Publicado por: Xico Lopes

Amigos, é aquela história, uma coisa puxa outra, o Blog VisãoGlobal publicou a matéria Fogão à lenha ecológico para comunidades rurais nordestinas , despertando o interêsse do nosso leitor Marcos Augusto, que nos enviou mensagem informando que no Acre existe um tipo de fogão à lenha, que igualmente ecológico, também produz eletricidade, o VisãoGlobal foi conferir e vejam que beleza:

O fogão a lenha ainda é um dos mais comuns “geradores de energia” utilizados no interior do Brasil e de vários outros países em desenvolvimento, principalmente na zona rural. De concepção milenar e construção simples, o fogão a lenha é utilizado basicamente no preparo de alimentos.

Mas o pesquisador brasileiro Ronaldo Sato acreditou que poderia melhorar o projeto do milenar fogão, tornando-o mais ambientalmente amigável e, sobretudo, utilizando-o para gerar energia elétrica.

geralux 

O Governo do Estado, através da Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac) concluiu a instalação dos 27 fogões Geralux nas casas de famílias isoladas da Reserva Chico Mendes. O equipamento cozinha e também produz eletricidade. Na mesma queima de madeira utilizada para o preparo dos alimentos, o fogão Geralux produz energia suficiente para acender três  lâmpadas e ligar uma televisão ou outros equipamento de baixo consumo, como rádio.

Depois de dois anos de testes e adaptações na Funtac,  o fogão passa à fase de experiência a campo. Até esta etapa da implantação, as famílias se dizem bem adaptadas à nova tecnologia e afirmam sentir-se bastante beneficiadas.  

Levar o equipamento até as casas foi a parte mais complicada devido à dificuldade de acesso e ao peso do kit da mini–usina, que pode chegar a 140 quilos. Na maioria dos casos, o transporte foi feito nas costas e demandou o trabalho  de vários homens em caminhadas de muitos quilômetros pelos varadouros e mangas do seringais. ¨É uma operação de guerra¨, disse Nadma Kunrath, coordenadora estadual do Programa Luz Para Todos e gerente do Centro de Referência de Fontes de Energia Alernativa da Funtac.

As fontes de energia podem ser classificadas em primárias, secundárias, renováveis e não-renováveis. As fontes primárias são aquelas cujos combustíveis são substâncias  naturais, como o petróleo, o carvão mineral, o gás natural e a lenha. As fontes  secundárias são aquelas que trabalham com combustíveis derivados de outros combustíveis, como o óleo diesel e a gasolina (derivados do petróleo). As fontes renováveis são aquelas que têm seus combustíveis inesgotáveis ou que suas reposições são realizadas em curto prazo. O sol é uma fonte de energia renovável  porque é considerada inesgotável. A lenha, o bagaço de cana e o álcool são fontes  renováveis para as usinas termelétricas porque são produzidos e repostos em curto prazo. Os lagos são fontes renováveis porque a água é rapidamente reposta pelas chuvas.  As fontes não-renováveis são aquelas que têm seus combustíveis renovados em  séculos ou milênios, como o petróleo e o gás natural.

No Acre, há vários estudos em andamento para geração de energia: o painel solar, o fogão Geralux, a biomassa, o biodiesel e as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Até agora, os dois primeiros apresentaram o melhor resultado e a mais positiva relação custo\benefício para atender famílias isoladas.

O Geralux é também mais ambientalmente correto do que os fogões tradicionais. Ele economiza até 50% da lenha  empregada, além de reter toda a fuligem no próprio fogão – No entanto, o criador do fogão, Ronaldo Sato, e Nadma Kunrath aconselham os colonos a não  abandonarem os fogões tradicionais para não gerar problemas de adaptação.  O  Geralux  não utiliza caldeira, o que simplificou  sua construção e reduziu  riscos de acidentes. O vapor gerado no trocador de calor é transformado em energia mecânica e, a seguir, elétrica. A energia é armazenada em uma bateria comum de automóvel – cerca de 30% de sua carga é suficiente para a iluminação da residência em um período de 4 a 5 horas.  Para recarregar a bateria utiliza-se o calor produzido no fogão durante o cozimento diário de alimentos.

Com munk ou serviço braçal, fogão percorre varadouros e trilhas

Os kits foram levados em caminhões até a comunidade Rio Branco, no Seringal Floresta. Dali, seguiram conduzido em camionetas até a entrada dos varadouros e levados até as residências carregados  pelos trabalhadores dos programas Luz Para Todos e Centro de Referência de Energia Alternativa da Funtac, em caminhadas que duravam até uma hora  mata adentro. Devido ao peso, alguns foram transportados sem a caixa de madeira de 22 quilos.

Um caminhão munk ajudou a remoção dos fogões. As famílias beneficiadas são em geral  vinculadas ao projeto de extração de látex para a Natex, a  fábrica de preservativos de Xapuri. Elas vivem  nos seringais Nova Vida, Floresta e Nazaré. O kit é composto pelo fogão, baterias e chaminés, além de duas panelas e um bule. O diretor-presidente da Funtac, César Dotto, investiu R$500 mil no projeto até esta fase. Na aquisição do kit foram aplicados R$135 mil.

O formato atual é a quarta versão do protótipo da mini-usina. A quinta, diz Ronaldo Sato, será definitiva. Ao invés do motor que faz algum ruído, virá com uma silenciosa turbina e será mais leve. Os testes de campo, que devem durar seis meses, indicarão novas adaptações.

O vice-governador e assessores do governo  visitaram  a casa de João Rinaldo e Raimunda Maia, na Colocação Rio Branco, no Seringal Floresta.  A rede convencional do  Luz Para Todos não consegue chegar à residência e a família recebeu o fogão. ¨Estou muito satisfeito. Com o fogão a gente faz comida e tem a luz¨, afirmou Rinaldo, que viveu doze anos naquela casa sob a luz de lamparina à noite. Nesta fase, o fogão é capaz de manter três lâmpadas, um aparelho de som e uma televisão. Numa versão futura, pretende-se ampliar sua capacidade.

Uma alternativa a mais de energia para 20 mil excluídos

A proposta da Funtac é incluir o Geralux no Programa Luz Para Todos como energia alternativa. Junto com a placa solar, que já atende a dezenas de famílias, o  fogão  chega aos isolados como o grande instrumento de inclusão elétrica no Acre.  Coordenadora tanto do Luz Para Todos como do projeto de implantação do Geralux, Nadma Kunrath calcula que 20 famílias ainda vivam na escuridão em todo o Estado.  

Moradores antigos relembraram os tempos difíceis na reserva,  quando, sem ramal, caminhavam seis horas desde Rio Branco até Xapuri para  resolver negócios e fazer compras. ¨Hoje, faço o mesmo trajeto em meia hora com minha moto¨, disse Raimundo Barros, o Raimundão, morador do Floresta desde a década de 1980 e líder comunitário.

Antônia Soares tem 67 anos e mora desde 1965 no Seringal Boa Vista, vizinho do Floresta, e, ao lado da neta, Miriam Pereira, 17, disse que todos em sua família estão bastante motivados com a vida na reserva porque os benefícios estão chegando cada vez mais. Antônia passou praticamente a vida toda tendo como uma única fonte de luz as lamparinas a querosene ou óleo diesel. Em muitas ocasiões, o sernambi, sobra de látex nas árvores de seringueira, servia como combustível fornecendo, durante algum tempo, uma luz amarela e tênue.  ¨Mas eu não vou abandonar minha lamparina, não¨, disse Raimunda Maia, da Colocação Rio Branco, alegando que a velha luminária ainda pode servir.

Fogão reduz gasto com pilha e combustível

O sernambi produz luz fraca e, por isso, nos dias atuais  é pouco utilizado para combustão.  O ¨combustol¨, nas palavras dos seringueiros, vem dos postos de gasolina de Xapuri. Mesmo caro, o óleo diesel sai mais em conta que o querosene vendido nos armazéns. O diesel alimenta motores, que são ligados de dia para serviços e por um curto período à noite -e as lamparinas, com as quais é possível caminhar pela casa.

Um dos primeiros a receber o fogão em casa, na Colocação Santa Clara, no Seringal Nazaré, Adagmar de Souza Franco gasta R$30 a cada dois meses apenas para recarregar a bateria de 12 volts que usa para acender um bico de luz e ligar o som de vez em quando. Com o fogão,  acenderá mais três lâmpadas e ouvirá o rádio a hora que quiser  sem custo algum.

A lamparina era  motivo de discórdia  na hora do jantar na casa de Gilberlande Ferreira de Oliveira, o Branco, morador da Colocação Prato II, no Seringal Nazaré: ¨Eu pegava a lamparina  para jantar sentado no chão. As meninas queriam ela para fazer outras coisas e a mulher ficava me recriminando¨, conta Branco. ¨Agora, acabou a briga¨.

Damp, do Grupo BMG, começa produzir fogão no Parque Industrial de Rio Branco
Instalada no Distrito Industrial de Rio Branco, a empresa mineira DAMP  Eletric, ligada ao Grupo BMG, irá investir na implantação de uma indústria para a produção inicial de 300 unidades ao mês. É possível que o fogão receba o nome de BMG Lux.  Após todos os testes, o fogão deverá ser licenciado para fabricação em série. A partir daí, os custos serão bastante reduzidos. “É previsível que o preço do fogão caia a um terço do valor da placa solar”, exemplificou César Dotto, da Funtac.   

Principais vantagens do fogão:

* O fogão produz energia para ligar cinco lâmpadas e uma tv ou rádio, evitando assim a falta de informação e o maior isolamento da população;

* Não há contato com a fuligem ocasionada pela queima da lenha, que é a oitava causa de morte no Brasil;

* Há total aproveitamento do calor, o que não ocorre nos fogões a lenha tradicionais;

* Não produz fumaça;

* Consome 50% menos lenha;

* É ambientalmente correto;

 

mais infos :

link http://www.redetec.org.br/inventabrasil/geralux.htm

Fonte: Edmilson Ferreira edmilson.ferreira@ac.gov.br para a Agência de Notícias do Acre

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