A influência africana na Língua Portuguesa Parte III


Vocábulos Afro-brasileiros

Cair no Santo
Entrar em transe, possessão mediúnica nos candomblés. Indica a chegada do orixá no corpo de seu cavalo.
 
Candomblé Festa Afro-brasileira religiosa dos negros Jejê-nagôs no Brasil.
 
Cangá Instrumento musical africano, feito de cana de bambu.
 
Canjerê
Feitiço, na acepção de coisa-feita, despacho, dança negra de fundo religioso.
 
Canzuá de Quimbe Terra dos mortos.
 
Capoeira
Arte marcial de origem Afro. Foi introduzido no Brasil pelos escravos bantos da Angola.
 
Cariapemba
Entidade maléfica para os escravos africanos.
 
Caruru-dos-Meninos
Refeição oferecida pelo devoto dos Ibeiji ou os gêmeos identificados como São Cosme e São Damião.
 
Dadá
Orixá sudanês, protetor dos vegetais. É o primeiro dos quinze filhos de lemanjá, saídos do seu ventre depois da violação de Orungã.
 
Dandalunda É um dos nomes de lemanjá. 0 mesmo que Mãe Dandá.
 
Dendê
Fruto do dendezeiro (palmeira). 0 azeite a indispensável na culinária afro-brasileira.
 
Dengué Milho branco, cozido com um pouco de açúcar.
 
Despacho Feitiço, macumba, coisa-feita.
 
Ebó
Farinha de milho branca e sem sal.Depois de cozida, certas tribos africanas adicionavam azeite de dendê.
 
Ebò
Descarrego de más influências; limpeza espiritual; inclui o sacrifício de um animal, geralmente.
 
Ecu Bailado dos candomblés Afro-brasileiros.
 
Ecuru
Farofa de massa de feijão-fradinho diluído em mel de abelhas ou azeite-de-dendê.
 
Efum
É a cerimônia de pintar a cabeça de iauô, candidata ao posto de filha-de-santo.
 
Egun Morto, balé.
 
Egungun
O mesmo que Egum, cerimônia nas macumbas, onde são invocados os espíritos bons e protetores.
 
Ekede
Ebomi do sexo feminino, que não entra em transe e tem funções de auxílio ao orixá (uma espécie de “aia” deste), tendo como obrigações principais vesti-lo, cuidar de suas roupas, dançar com ele, estar permanentemente ao seu lado quando entra em transe , atendendo a seus pedidos, enxugando o suor do rosto de seu “filho” durante a dança.
 
Équédi
Na hierarquia feminina dos candomblés, são servas voluntárias das filhas-de-santo, ajudando-as, por devoção aos orixás, nos trabalhos de vestuário e ornamentos.
 
Eran-Paterê É um naco de carne verde, bem fresca, salgada e frita no azeite.
 
Ere
É um orixá filho de Xangô. Entidade infantil, espírito menor, particular de cada iaô, que nasce durante a feitura de seu santo.
 
Erê Criança, no rito angola.
 
Etu Feitiço que se obtém com um punhado de terra do cemitério.
 
Exu
Também conhecido por Elegbára (ele=dono; agbára=poder). É o representante das potências contrarias ao homem. Os africanos assimilam-no ao demônio dos católicos.
 
Feitiçaria É o nome genérico para designar todas as praticas de magia popular.
 
Feito em pé
Diz-se do santo, nos candomblés Jejê-nagôs e bantos, que não mereceu o cerimonial preparatório para assentar no seu sacerdote, babalaô, babalorixá, pai- de-santo.
 
Ferramentas
Insígnias que os orixás trazem nas mãos como símbolo de sua identidade mítica. Ogum traz uma espada, Oxóssi um arco e flecha etc.
 
Filha-de-Santo
A sacerdotisa dos candomblés Afro-brasileira, mulher dedicada ao culto de um orixá, tendo essa posição religiosa depois de um verdadeiro curso no terreiro , aprendendo o rito, danças, cantos, cerimonial, fazer a indumentária do seu santo, as iguarias que lhe são oferecidas.
 
Fungador Instrumento musical africano trazido pelos escravos para o Brasil.
 
Guaiá Chocalhos usados pelos Afro-descendentes.
 
Humulucu
Iguaria que se faz de feijão fradinho, temperado com azeite-de-dendê, cebola, sal e camarão.
 
Mãe.
 
Iabá Orixá feminino.
 
Iabaim Mãe da bexiga, varíola.
 
Iabassê Cozinheira do culto, responsável pelas comidas dos santos.
 
Iaiá-Ioiô
Tratamentos de Senhora e Senhor dados pelos escravos aos meninos da casa-grande, os jovens amos. Também havia o hipocorístico iaiázinha e ioiôzinho.
 
Iakekerê Mãe-pequena, auxiliar direta da ialorixá.
 
Iansã Orixá sudanês dos ventos e da tempestade, uma das mulheres de Xangô.
 
Iaôs
São as filhas-de-santo em preceito, cumprindo os deveres e encargos do curso de iniciação ou recém-iniciadas.
 
Iaque-que-rê Mãe pequena.
 
Iatebexê
Cargo feminino , geralmente dado a uma ekede, que tem como função cantar para os orixás, no barracão ou fora dele.
 
Iere
Semente semelhante a do coentro, usada na culinária afro como tempero do caruru, peixe e galinha.
 
Ilê Casa, terreiro.
 
Ingono Tambor de macumba e candomblé para danças populares.
 
Inkices Deuses do rito angola.
 
Iru Fava usada pelos africanos como condimento.
 
Iruquere
Ou Iruquerê, cauda de boi, com um cabo de osso ou de madeira, enfeitado de relevos. Pertence ao culto de Oxossi. Na África, entre sudaneses e bantos , é uma insígnia da realeza , enxota-moscas ou objeto privativo do rei ou dos primeiros príncipes. Todos os viajantes que atravessaram a Africa fazem menção do enxota-moscas do rabo do boi na mão do soba ou dos seus privados. Era de use no Egito clássico.
 
Iyalorixa
Alourixá , mãe-de-santo, mãe-de-terreiro, diretora do candomblé , sacerdotisa de um candomblé , sacerdotisa do culto Jejê-nagô, iniciadora, mentora e governadora absoluta do seu candomblé.
 
Instrumento musical trazido pelos africanos para o Brasil. E uma sineta de metal utilizada na cerimônia de dar comida ao santo, orixá.
 
Jeguedé
Instrumento de percussão dos afro-brasileiros, popularizado no sul do Brasil , onde dominou a dança que se fazia ao som do mesmo. A dança Jeguedé era uma espécie de bambolê, ginástica , individual , com improvisações, embora dançada com muitos outros companheiros.
 
Jejês
Negros do Daomé, vindos para o Brasil como escravos e que tiveram influencia folclórica e etnográfica.
 
kelê
Colar que se amarra ao pescoço do iaô durante a iniciação e que permanece assim por três meses, conhecidos como período de kelê; diz-se que ele “separa a cabeça do corpo”. É chamado também de “gravata do orixá”.
 
Lógunéde
Erinlé teria tido com Oxum Yéyépondá, um filho chamado Lógunéde , cujo o culto se faz ainda, mas raramente em Ilexá.
 
Lundu
Dança e canto de origem africana trazidos pelos negros escravos bantos, de Angola para o Brasil. A chula, o tango brasileiro, o fado, nasceram do som do lundu.
 
Mãe-de-santo ou Mae-de-terreiro
Sacerdotisa do culto Jejê-nagô, dirigindo a educação sagrada das filhas-de-santo ou cavalo-de- santo.
 
Malembe Cânticos rogatórios nos candomblés de origem banto.
 
Mandinga
Feitiço, despacho, mau-olhado. Os negros mandingas eram tidos com o feiticeiros incorrigíveis dos vales do Senegal e do Níger.
 
Martim-Pescador
É um orixá dos candomblés bantos, em Salvador, Bahia. 0 mais estranho dos orixás das águas é o pássaro martim-pescador , também conhecido entre os negros por marujo, pássaro cuja missão consiste em ser leva-e-traz para o mar das suplicas dos mortais às divindades do mar.
 
Moçambique
Dança africana, como explica a palavra. Foi conhecida e usada nos sertões pelos primeiros escravos mineiros trazidos para o trabalho da extração de ouro.
 
Nação
Rito religioso identificado às práticas das etnias de origem africana que foram trazidas ao Brasil.
 
Nagô
Nome por que se conhece o iorubano assim como todo negro da Costa dos Escravos que falava ou entendia o ioruba.
 
Nanã A avó dos Orixas, também chamada de Nanã Buruku ( Buru=espirito; Iku=morte)
 
Obá Orixá yoruba semelhante a Oya
 
Obag
Foram, na tradição dos iorubanos, os ministros do Rei Xangô, os mangbás , divulgadores , instituidores e defensores do culto,dando ao soberano tornado orixá os hábitos celestiais idênticos às predileções que possuía na terra.
 
Obaluayiê
Omolú (xapanã) – Obalúayé; “Rei dono da Terra”, Omolu “Filho do Senhor”, Sapata “Dono da Terra” são os nomes dados a Sànpònná (um título ligado a grande calor – o sol – também é conhecido como Babá Igbona = pai da quentura ) deus da varíola e das doenças contagiosas, é ligado simbolicamente ao mundo dos mortos.
 
Obrigação Nome que se dá às confirmações da iniciação (de dois em dois anos, existindo obrigação de 1,3,5,7 anos e, depois, quando se tiver condições de dar).
 
Ogã Ebomi do sexo masculino, que não entra em transe.
 
Oguedê E a banana denominada da terra, frita e servida como sobremesa.
 
Ogum Orixá do ferro e das guerras filho de Yemanjar ou Oduá com Oxalá
 
Oiá Deusa do rio Níger, mulher de Xangô.
 
Omalá E a comida do santo. Cada orixá possui seu omala.
 
Omi Água.
 
Omó Filho, criança.
 
Opanijé Um dos bailados no candomblé Jejê-nagô da Bahia.
 
Opelê ifá
Instrumento oracular do babalaô. Um tipo de corrente com oito metades de caroço de dendê, que jogados aleatoriamente resulta configurações em número de dezesseis e que e dois lances fornece 256 configurações chamadas odus.
 
Ori Cabeça, manteiga vegetal.
 
Orô Cerimônia.
 
Òrúnmíla Deus do destino, regente dos oráculos, Òrúnmíla é um outro nome de Ifá
 
Ossain-Òsányn Divindade das folhas medicinais e litúrgicas
 
Oxalá
O maior dos orixás, entidade andrógina, a maior tradição religiosa como sobrevivência afro-brasileira. Orixalá ou Oxalá tem um caráter bissexual e simboliza as energias produtivas da natureza. Esse caráter andrógino de Oxalá e evidente nos seguintes cânticos do candomblé da Bahia: É representado por meio de conchas ou cauris , limão verde dentro de um circulo de chumbo. Pela convergência a força de aculturação , Oxalá identificou-se como o mais popular e prestigioso culto de toda a Bahia. 0 dia do culto especial de Oxalá e a sexta- feira. Ora, identificado como está com o Senhor do Bonfim ( Santo de maior devoção entre o povo da Bahia) , pode-se dizer que Oxalá tem, semanalmente, o culto mais ruidoso da Bahia. Todas as Sextas-feiras peregrinos dos subúrbios, da própria cidade e das circunvizinhanças vem em romaria visitá-la e implorar-Ihe proteção e auxílio. A falta de um deus supremo , por assim dizer palpável, os negros, Jejê-nagôs ou bantos, adoram Oxalá , um mito primitivo. Mora no alto de um monte, como na África.
 
Oxóssi Orixá da caça e dos caçadores, Também ligado a terra virgem.
 
Oxum Orixá dos rios e das Pontes, deusa do rio Oxum, na África.
 
Oxumarê
Sua tradução , quer dizer: arco íris , bem como uma versão, essencialmente masculino, e outra, como fêmea ou macho ( Besèn e Frekuén). Besèn, a parte feminina de Oxumarè, que se transforma durante seis meses do ano ( também evidenciado pela sua mudança de pele ).
 
Oyá Iyá-mesan-órun, seu Oríki, mãe dos noves órun, Yásan.
 
Padê-de-Exu
Oferta de alimentos rituais feita ao orixá Exu, antes de qualquer cerimonia ou festa de candomblé afro-brasileira na Bahia.
 
Pata de Coelho
Amuleto que se divulgou no Brasil. É de origem africana , dos negros sudaneses, onde o coelho é um motivo prestigioso de astúcia, esperteza e felicidade.
 
Peji
Altar armado e dedicado a um orixá nos candomblés Jejê- nagôs. Também é quarto onde ficam as representações materiais dos orixás, chamadas de ibás.
 
Peji-Gan
Dono ou senhor do altar, sinônimo de pai-de-santo, mestre babalorixá nos candomblés Jejê-nagôs.
 
Povo-de-santo Conjunto de todos os adeptos do candomblé ou da religião dos orixás.
 
Presente de lemanjá Oferta ritual feita a rainha do mar, água de cheiro, flores etc.
 
Quizila ou eó
Tabu , implicância , interdição, indisposição em relação a algo ou alguém, conjunto de proibições.
 
Roda de Ebomi
Roda de santo formada apenas pelos ebomis, situando-se dentro da roda de santo, formando com esta, um círculo concêntrico.
 
Roda de santo
Círculo formado em ordem hierárquica para a dança no barracão e que o faz no sentido anti-horário.
 
Roncó Clausura. Espaço reservado ao recolhimento dos iniciados.
 
Rum
O maior dos três atabaques; dança principal dos orixás; a saída, na iniciação , em que o orixá veste, pela primeira vez, suas roupas rituais e usa suas ferramentas.
 
Saída
Festa em que o iaô, após o período de recolhimento para a iniciação, sai pela primeira vez, apresentando-se publicamente à comunidade do povo-de-santo.
 
Sinhá
Corruptela de senhora. Termo originariamente usado pelos escravos africanos para chamarem as mulheres dos seus senhores , chamando , porem, as filhas de sinhazinha ou sinhá moça. Sinhá é gente de boa família , bem educada, gente fina.
 
Sinhô
Corruptela de senhor. Termo originariamente usado pelos escravos africanos para chamarem os seus senhores, chamando, porem, os filhos de sinhozinho ou sinhô moço.
 
Sudaneses
Compreende os iorubas da Nigéria ( nagô , ijexá, eubá , quêtu , ibadau , iobu ) os negros do Daomé ( Jejê, etc. ) , fanti-ashanti da Costa do Ouro , os grupos de outras regiões da Gâmbia , Serra Leoa, Nigéria , Sibéria , Costa do Marfim , da Malagueta, etc… Entende-se como influência sudanesa , as culturas guineano sudanesas que tiveram o credo muçulmano , fulas , mandingas , haussás e elementos de menor porção. A influência sudanesa no Brasil foi interessante na preeminência intelectual e social. Os Jejês teriam representado alforriados da Bahia para a África. Os nagôs fizeram, na Bahia , Capela dedicada ao Senhor Bom J esus da Redenção. As iguarias mais típicas da cozinha afro-brasileira são presenças nagô, como vatapá e caruru. 0 cerimonial religioso dos candomblés deve maior percentagem aos nagôs. São iorubas os instrumentos musicais dos candomblés em sua maioria, os ilus (tambores) o agogô, o adjá, o afofiê, o aguê.
 
Suspensão Ato pelo qual o orixá “escolhe” alguém na assistência ou na casa de santo e lhe atribui um cargo.
 
Tempero Elementos que compõem o fundamento religioso, como folhas, pós, sementes etc.
 
Tempo
O deus Tempo , cultuado nos candombles de Angola e do Congo , na Bahia , não é outro senão o deus Loko dos Jejês. Os negros de Angola também o chamam de Katende, Katende ngana Zambie , sem duvida, o estão transformado numa divindade distinta. Parece que , como Tempo, o deus do Jejês incorpora vários espiritos inferiores que , na crença dos bantos , habitam as árvores. O iroko , árvore sagrada em toda a Costa dos Escravos , e, na terra dos Jejês , considerada como sendo o deus Loko, “o deus das árvores ” ( Herskovits ) , e a Chlorophora excelsa , na África , e dispõe de altares públicos em Abomey e Porto Novo, no Daomé. Na Bahia, entretanto e a gameleira branca, a grande gameleira das folhas largas, talvez a Fícus religiosa. No Maranhão , onde a influencia Jejê se faz sentir poderosamente na Casa das Minas , Loko se representa pela cajazeira. Como Tempo, o deus Loko esta mudando as fisionomias , as vezes com diferenças atmosféricas: ” Vira o Tempo! Olho Tempo virou! “
 
Urucungo ou Orocongo
Instrumento de procedência africana , que consiste num arco de madeira, tendo um arame retesado , passado entre as pontas. Numa das extremidades, ou no centro do arame, a presa um pequeno catuto, de forma arredondada, com uma abertura circular. 0 som e obtido pela percussão da corda com os dedos ou com uma vareta (tocado igual a violino) ou uma haste de metal.
 
Vatapá Tradicional prato da cozinha afro-brasileira.
 
Virar no santo Entrar em transe.
 
Xangô Xangô teria sido o terceiro àlàáfín Òyó – Rei de Oyó filho de Oranian e Torosi
 
Xinxin Iguaria tradicional da cozinha afro-brasileira.
 
Xirê
Ordem seqüencial de cantigas para o orixá, cantada durante a festa; em Jorubá significa dançar, brincar.
 
Yemanjá Ye omo eja = Mãe dos filhos peixe, ou ,Yéyé omo ejá ( mãe cujo os filhos são peixes)

Fonte: http://www.culturanegra.com.br/africanalinguaportuguesa.htm

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