Patrice Motsepe, o bilionário


Patrice Motsepe, de 47 anos, nasceu em Soweto, venceu as limitações do apartheid e conseguiu prosperar no ramo da mineração, a ponto de se tornar o primeiro negro bilionário da África do Sul. No último ranking de fortunas globais da revista americana Forbes, ele surge com um patrimônio de 1,3 bilhão de dólares.

Motsepe ergueu do nada a African Rainbow Minerals (ARM), um dos maiores conglomerados de mineração da África do Sul, com quase 10 000 funcionários, participação em mais de 20 minas de ouro, ferro, platina, carvão e cobre e faturamento anual superior a 1 bilhão de dólares. A ARM tem capital aberto e Motsepe controla 41% das ações a partir da empresa, localizada no bairro de Sandton, a Wall Street da África do Sul. Embora tenha orgulho de sua trajetória de self-made man, Motsepe não gosta de falar sobre o passado em Soweto.

Filho de um comerciante e de uma enfermeira, Motsepe nasceu em Soweto e, ainda pequeno, foi viver com a família em outro subúrbio numa área rural da cidade de Pretória, a 60 quilômetros de Johannesburgo. A mudança ocorreu porque seu pai, um ferrenho opositor do apartheid, começara a incomodar o governo, que resolveu bani-lo de Soweto. Patrice, o primeiro nome de Motsepe, é uma homenagem a Patrice Lumumba, um dos líderes negros na luta anticolonial do continente. Em Pretória, Motsepe e os seis irmãos ajudavam o pai em sua pequena venda local. Na juventude, ele recusou o pedido do pai para assumir os negócios e ingressou na faculdade de direito. Como as boas universidades da África do Sul eram proibidas para os negros, Motsepe se mudou para a Suazilândia, um pequeno país vizinho, onde frequentou a faculdade local.

Já formado, começou a trabalhar no Bowman Gilfillan, um dos maiores escritórios de advocacia da África do Sul. Nos anos 90, com o fim do regime segregacionista, tornou-se o primeiro sócio negro da empresa. Sua entrada no ramo de mineração começou a tomar forma ainda quando era advogado, trabalhando com a legislação do setor. Nessa época, durante uma viagem ao Canadá, em 1992, Motsepe visitou uma mina pequena, de baixa escala, muito mais eficiente do que as grandes operações comuns na África do Sul. “Voltei ao meu país determinado a fazer algo parecido”, diz. Em 1994, quando Nelson Mandela tomou posse como presidente, Motsepe deixou a advocacia para tentar a sorte no ramo da mineração. No início, ele visitou empresas de mineração do país, pedindo a elas que vendessem a ele minas pouco lucrativas. “Por dois anos, eles me mandaram embora, dizendo que eu não sabia nada do negócio”, afirma. Seu primeiro passo no setor foi o contrato de prestação de serviços para uma mina de ouro da empresa inglesa Anglo American.

Em 1997, Motsepe começou a se mexer para comprar as próprias minas. O momento era favorável: o preço do ouro caía e a moeda local, o rand, se fortalecia. Com isso, grandes mineradoras estrangeiras, como a Anglo American, queriam vender ou fechar as escavações não produtivas. Na mesma época, o governo sul-africano pressionava as multinacionais a dar maior participação aos negros nos negócios. A Anglo American então fez um acordo no qual transferiu para Motsepe a posse das minas de baixo desempenho que a empresa não queria, sob condições financeiras favoráveis (ele só pagaria com os lucros futuros). Era fundada a ARMgold (ARM são iniciais de African Rainbow Minerals e o arco-íris do nome homenageia a diversidade de etnias do país). A mina deu lucro, ele pagou rapidamente sua dívida com a Anglo American e a ARMgold tornou-se o embrião da atual ARM.

Em 2007, o boom das commodities dobrou o preço das ações da ARM e elevou a fortuna de Motsepe a 2,4 bilhões de dólares. No ano fiscal que se encerrou em junho de 2008, as vendas da empresa dobraram de volume, atingindo 1,6 bilhão de dólares. Com a crise, os resultados de 2009 pioraram. A empresa faturou 1,3 bilhão de dólares nos 12 meses terminados em junho de 2009 (queda de 20%). “Apesar do impacto da crise, nossos fundamentos são firmes e continuamos investindo para crescer no futuro”, diz Motsepe. Um dos novos negócios tem como sócia a brasileira Vale. Em março, as duas empresas criaram uma joint venture para explorar minas na África.

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