A igreja Renascer é Racista…


ATUAIS FORMAS DE RACISMO NA IGREJA EVANGÉLICA BRASILEIRA
Data: Segunda, novembro 26 @ 08:00:00 BRST
Tópico: Noticias do Mundo

ATUAIS FORMAS DE RACISMO NA IGREJA EVANGÉLICA BRASILEIRA
Mariel Marra

RESUMO: O presente artigo abordará a questão das atuais formas de
racismo velado na igreja evangélica brasileira e suas heranças
históricas, sendo elas uma clara contradição com a revelação em Cristo
da Graça e Salvação universal para todos os povos.

Palavras-chave: racismo, igreja evangélica brasileira, graça, salvação
universal, reflexão

1- INTRODUÇÃO

Se hoje abordarmos algumas pessoas nas igrejas evangélicas do Brasil
perguntando: – Você se considera racista?

Dificilmente encontraremos alguém admitindo seu preconceito racial,
pois acima de tudo, acredita-se que Deus é amor e que não faz acepção
de pessoas. E isto de fato em princípio está correto, mas será que
este pensamento acompanha uma prática?

2- HISTÓRIA DA IGREJA NO BRASIL E SUA HERANÇA RACISTA

2.1 – Históricos

O protestantismo histórico no Brasil é composto pelas primeiras
igrejas (denominações) que chegaram no Brasil através dos missionários
estrangeiros: Congregacionais, Batistas, Presbiterianos, Metodistas,
Luteranas, Anglicanas.

Essas igrejas chegaram no Brasil no período da escravidão e tiveram
entre seus lideres: defensores da escravidão, omissos, e
abolicionistas.

Os defensores da escravidão em sua maioria eram os missionários que
vieram do sul dos Estados Unidos, ainda com ressentimentos da derrota
da guerra da Secessão contra o Norte dos Estados Unidos pela
libertação dos escravos, esses missionários sulistas tinham a
escravidão como instituída por Deus, baseado em fatos teológicos que o
povo negro eram da descendência de Cam filho de Noé, amaldiçoado para
ser escravos dos escravos.

Os protestantes omissos defendiam a posição da grande maioria dos
históricos a respeito da escravidão negra, também defendia a sua
posição teologicamente, afirmando que a Igreja não devia interferir no
Estado, ou seja na política.

Defendiam que seu compromisso era com o “espiritual”, que deveriam tão
somente se preocupar com a pregação do evangelho, e que a Igreja deve
se sujeitar a toda autoridade constituída, baseado na carta de Paulo
aos Romanos capitulo 13.

Já os abolicionistas estiveram presentes em quase todas as
denominações históricas, e eram em sua maioria missionários do norte
dos Estados Unidos, europeus, e alguns convertidos brasileiros; Mas
infelizmente eram em número muito menor do que os citados acima.

2.2 – Pentecostais

As igrejas Pentecostais são as denominações que chegaram no Brasil com
o movimento missionário Norte Americano da rua Azusa, após as igrejas
históricas, e foram também trazidas por missionários estrangeiros no
início do séc XX.

Possuem como característica o batismo com o Espírito Santo, a cura de
enfermidades no nome de Jesus, expulsão de demônios, e os milagres. Os
cultos são animados com muitos cânticos e são festivos.

As principais igrejas Pentecostais são: Assembléia de Deus, o Brasil
Para Cristo, Congregação Cristã do Brasil, Evangelho Quadrangular,
Igreja Unida.

Atualmente são nas igrejas Pentecostais, onde está grande parte dos
negros evangélicos. Com a chegada de tais denominações importadas, os
negros Pentecostais encontraram nelas, tudo aquilo que eles precisavam
para vencer do preconceito racial e melhorar sua auto-estima.

Pois estes negros pentecostais agora eram considerados crentes, não
praticavam mais as religiões-afro e por isso eram aceitos pelos
brancos como irmãos, os quais diziam que eles eram negros diferentes
dos outros. E diziam ainda que eram negros de alma branca.

Quando o movimento Pentecostal chegou no Brasil (assim como os
evangélicos Históricos) juntamente com o Evangelho, os missionários
trouxeram também a cultura ocidental euro-norte-americana, com seus
valores e costumes, fazendo com que estes valores culturais fossem
vistos e aceitos no Brasil como divinos modelos para todos os povos e
as outras culturas locais não eram consideradas de Deus, sendo
atribuídas ao diabo, tal como se observa hoje a respeito da cultura
afro-indígena no Brasil.

É isto uma violência cultural em nome do “evangelho”, tão grande
quanto a que fizeram os padres católicos e jesuítas, quando também
chegaram em terras brasileiras.

2.3 – Renovados

Outros movimentos também aconteceram com a chegada do Pentecostalismo
no Brasil, pois alguns membros e pastores de denominações históricas
começaram a receber o batismo com o Espírito Santo e crer na cura de
enfermidades no nome de Jesus, expulsão de demônios, e nos milagres
tal como era pregado pelos pentecostais.

Isso deu origem a chamada Renovação Carismática (1966), que foi um dos
movimentos que mais provocou divisões entre as denominações
evangélicas brasileiras, e as igrejas históricas que passaram por este
movimento de renovação, vieram a ser identificadas como igrejas
Renovadas.

Estas são igrejas que procuram manter a ortodoxia com as mesmas bases
doutrinárias das igrejas históricas (mesmo as racistas), contudo com a
doutrina pentecostal agregada.

2.4 – Neopentecostais

As igrejas Neopentecostais sugiram no Brasil a partir dos anos 70 e
suas principais denominações são: Igreja Universal do Reino de Deus,
Internacional da Graça de Deus, Renascer em Cristo, Sara Nossa Terra e
uma grande quantidade de outras denominações e pequenas comunidades.

O que diferencia os Neopentecostais dos Pentecostais, Históricos e
Renovados, além da data do seu surgimento, são alguns aspectos
teológicos e doutrinários, que essas igrejas trouxeram para o cenário
evangélico brasileiro, como: tolerância quanto aos usos e costumes,
introdução da dança nos cultos, diversidade de ritmos nas músicas e
ênfase na prosperidade como sinal da benção divina.

Contudo algumas características mais marcantes nessas igrejas são as
doutrinas importadas tais como: A teologia da prosperidade, A Batalha
Espiritual e a crença em maldições hereditárias.

Assim como também trouxeram outras experiências espirituais tais como:
Dente de Ouro, Cair Pelo Poder do Espírito e receber unção de animais
(benção de Toronto). E como existe uma forte ligação dos
Neopentecostais com os Pentecostais, Históricos e Renovados,
observa-se que essas doutrinas já são comuns em muitas delas também.

3- ATUAIS FORMAS DE RACISMO NA IGREJA EVANGÉLICA BRASILEIRA

Porém o que é mais alarmante em tudo que foi dito acima, e que precisa
ser nosso objeto de nossa reflexão, é a demonização sistemática de
tudo aquilo que não é da cultura ocidental euro-norte-americana.

Sem perceberem, os grupos evangélicos citados acima, estão trazendo
velhos conceitos racistas, grandemente enraizados na cultura do sul
dos Estados Unidos, que no passado usavam a Bíblia para justificar a
escravidão, e a inferioridade do povo negro.

Atualmente este racismo sutilmente se manifesta através da crença em
maldições hereditárias e da batalha espiritual e novamente essa velha
tendência chega em nossas igrejas.

3.1- Maldição hereditária

Na crença em maldições hereditárias a cultura africana é considerada
maldita, e para que este crente que tem ligações com ela, se veja
livre de suas maldições dos antepassados (apenas crer em Jesus não é
suficiente), é necessário que ele ainda faça renúncias verbais e
unções com óleo sagrado pelo corpo, para se desvincular de todo
envolvimento (direto ou indireto) com a cultura negra que é neste
contexto considerada demoníaca; E qualquer relação futura que ele
venha ter com esta cultura, isso poderá ainda trazer de volta as
maldições, para isso é aconselhável que este novo crente, se afaste
totalmente da cultura demoníaca (cultura negra), para enfim adotar
como padrão os valores euro-norte-americano de ser-evangélico, como se
estes valores culturais fossem de alguma forma mais puros, santos e
superiores.

3.2- Batalha Espiritual

Na Batalha Espiritual o caso parece ser mais sério ainda para o negro,
pois se olharmos cuidadosamente nos livros que tratam do assunto
(principalmente dos E.U.A traduzido para o português. Ver o livro de
ficção: Este Mundo Tenebroso, de Frank E. Peretti – Editora Vida)
veremos que os exércitos de Deus são todos brancos e loiros e o
exército do diabo são todos pretos e negros.

Os demônios expulsos em sessões de libertação destas igrejas, em
grande parte são identificados como sendo do panteão das religiões
afro, denotando assim uma implacável demonização desta cultura por
parte dos crentes, que por herança histórica, passaram a ver todas as
culturas que não são euro-norte-americana, como sendo obra do demônio.

Também os anjos, quando vistos em ditas experiências espirituais
destes crentes brasileiros, estes seres espirituais são sempre
brancos, loiros e de olhos azuis (padrão euro-norte-americano), e
quando estas visões raramente fogem do comum, nota-se que o anjo
avistado é ruivo.

E isso pode ser observado também nos livros de batalha espiritual do
escritor Daniel Mastral, onde supostamente foi visto um anjo ruivo, o
qual é apresentado como o mentor de Daniel Mastral[1] (ex-satanista),
conforme o próprio autor narra ao longo de sua história. Observa-se
também, que durante esta narrativa, este anjo ruivo é identificado por
Neuza Itioka[2] (Grace), como sendo o próprio Arcanjo Miguel (o
príncipe dos exércitos celestes).

Não é objetivo deste artigo, acusar de fraude ou racismo os autores
evangélicos citados, contudo questiona-se até que ponto estas
experiências espirituais são de fato verdadeiras. Por que anjos
brancos são bons e anjos negros são identificados como demônios entre
os crentes? Será que estas experiências não são projeções de
consciências obliteradas e acostumadas com o padrão
euro-norte-americano, o qual nos foi imposto historicamente?

Contudo o fato é que estes são conteúdos muito sérios, e que vão
penetrando no inconsciente das pessoas, influenciando comportamentos
racistas velados, e também trazendo conseqüências sérias para a saúde
da Igreja Evangélica Brasileira.

4- CONCLUSÂO

Sabe-se que Deus é Universal, assim com a Sua Graça e Salvação, a qual
não pertence a nenhuma etnia exclusiva, portanto Ele nunca foi
exclusividade de Israel, assim como não é europeu, norte americano,
negro, latino, asiático etc..

Deus não tem propósito em assumir uma preferência étnica ao se revelar
aos homens, logo não faz sentido que Seus anjos se manifestem
assumindo traços de determinadas etnias (loiro, ruivo etc..).

A igreja evangélica brasileira, semelhantemente a igreja de Laodicéia
(Ap. 3:14), pensa que está rica, mas não sabe que é uma desgraçada,
pobre, cega e nua.  Embora pense que está caminhando bem e prosperando
em seus caminhos, não sabe que é miseravelmente racista e que está
reproduzindo um pensamento retrógrado racista, sendo também incapaz de
ver a enorme contradição entre o que confessa e o que pratica.

Tais práticas racistas veladas precisam ser combatidas abertamente
pelos crentes no Senhor, pois tais estruturas de pensamentos, os quais
colocam veladamente o branco como algo bom e superior e o negro como
algo mal e inferior, isto é demasiadamente repugnante e jamais deve
ser aceito por um homem ou mulher de bem nesta nação.

É muito triste observar que determinados folclores como o alemão com
suas músicas e ritmos, são aceitos sem nenhuma resistência nestas
igrejas do Brasil; Ao passo que o folclore da cultura afro e suas
músicas e ritmos são estes demonizados, e tudo atribuído às obras do
diabo.

Porque aceitamos um folclore e rejeitamos outro? A resposta é que isto
é o puro racismo velado quanto à cultura negra, excluindo tudo que não
é da cultura euro-norte-americana.

Sendo lamentável observar, que ainda ensinam as crianças evangélicas,
que o preto significa pecado, e que o branco significa santidade.

Pare e pense: Quem foi que instituiu estes símbolos desta forma?
Será que nós brasileiros, cuja maioria é afro-descendentes, podemos
concordar com esta forma de pensamento que influencia comportamentos
racistas?

Precisa-se mudar urgentemente estes paradigmas, assumindo uma nova
identidade evangélica brasileira, dando um novo significado aos seus
símbolos.

Pois até quando a igreja brasileira será esta cópia mal feita da
igreja evangélica euro-norte-americana?

Neste presente artigo tomou-se como base a cultura negra para tecer
esta reflexão, mas sabe-se também que esta atual forma de pensamento
racista euro-norte-americana, que lamentavelmente está presente no
Brasil, exclui também a cultura dos indígenas, latinos, povos do
oriente médio e asiáticos.

Portanto é muito sério este racismo velado que acontece sutilmente na
cristandade do séc. XXI, pois a prática da igreja deve acompanhar sua
confissão de fé, a qual deve pensar duas vezes nos impactos locais,
antes de importar novas práticas cristãs.

Seu irmão em cristo
Mariel Marra[3]

Links sugeridos:

http://ejesus.com.br/conteudo/4873/

http://www.guerreirosdaluz.com.br/batalhaespiritual-caiofabio.htm

http://www.guerreirosdaluz.com.br/palhacosouprofetas.htm

http://www.guerreirosdaluz.com.br/doutrincasatanicarastrosdoculto.htm

http://www.guerreirosdaluz.com.br/analisebiblicadapraticadoagape.htm

http://www.guerreirosdaluz.com.br/respostadoministerioagapereconciliacao.htm

Download deste artigo:

http://www.guerreirosdaluz.com.br/racismoevangelico.doc

http://www.guerreirosdaluz.com.br/racismoevangelico.htm

———————
Notas de rodapé:

[1] Escritor de livros sobre seu testemunho de conversão e batalha espiritual.

[2] Fundadora do ministério Ágape Reconciliação e atualmente é a maior
palestrante de batalha espiritual e cura interior no Brasil.
Encontra-se vinculada a Peter Wagner e seu seminário Füller nos EUA,
de onde importou toda a doutrina da batalha espiritual. Nos livros de
Daniel Mastral ela é identificada com o pseudônimo de Grace.

[3] Mariel Marra é atualmente bacharelando em Teologia pela FATE-BH
(Faculdade evangélica de Teologia de Belo Horizonte), membro da Igreja
Batista da Lagoinha, servindo nesta congregação como diácono.Trabalha
ativamente na Internet e outros meios de comunicação em favor da Fé
Cristã e do meio ambiente, chamando a todos ao equilíbrio e moderação
em Cristo por meio das Escrituras. Para outras informações:
marielmarra@gmail.com

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